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Violência sobre profissionais de saúde – Notificar para intervir – SPMS

Número de notificações de episódios de violência sobre profissionais de saúde diminuiu em 2023. É essencial a notificação de todos os episódios, pois a falta de conhecimento dificulta a intervenção.

No setor da saúde, a violência sobre os profissionais tem ganho terreno, em Portugal, representando uma grave violação dos direitos humanos. Enquanto as instituições de saúde deveriam representar um local seguro, notado pelo cuidado e respeito para com os concidadãos, a especificidade do trabalho dos profissionais, caracterizado por situações e condições complexas, aumenta a sua vulnerabilidade e exposição a situações de risco, de violência, e de conflito interpessoal, intergrupal e organizacional.

Segundos os dados disponibilizados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), em webinar realizado no passado dia 11 de janeiro, foram notificados pelos profissionais de saúde, em 2023, 1.036 episódios de violência, através da plataforma Notifica. Este valor representa uma diminuição de 37% face a 2022, ano em que foram registadas 1.632 ocorrências. Contudo, está abaixo do número de casos que são acompanhados pelas próprias instituições de saúde, que entre o início de 2022 e junho de 2023 se situava nos 3.024 casos, indiciando subnotificação informática. É, por isso, necessário fazer mais e melhor para prevenir este problema.

Violência psicológica no topo das notificações

De acordo com os dados disponibilizados pela DGS, a violência psicológica é a mais evidente, representando 67% dos casos, seguindo-se a violência física (14%) e o assédio moral (5%). Nestes casos, os enfermeiros representam a maioria das vítimas (35%), seguindo-se os médicos (28%), os assistentes técnicos (23%) e os assistentes operacionais (10%).

A violência sobre os profissionais de saúde engloba uma variedade de comportamentos, desde o abuso verbal, às agressões físicas e intimidação. Estes atos, provenientes de pacientes, famílias e até mesmo de colegas de trabalho, contribuem para um ambiente tóxico, que não apenas coloca em risco o bem-estar destes profissionais, como também afeta a própria qualidade do atendimento e do cuidado ao utente.

As consequências da violência nos profissionais de saúde são profundas, afetando tanto a saúde física quanto mental. Lesões físicas resultantes de agressões podem levar a problemas de saúde a longo prazo, enquanto o sofrimento psicológico pode contribuir para episódios de ansiedade e até mesmo para situações de burnout. O impacto cumulativo destas experiências representa uma ameaça não só para os profissionais, mas também à resiliência geral do sistema de saúde.

Planear, sensibilizar e formar

A prevenção da violência sobre os profissionais de saúde exige uma abordagem abrangente, que envolva as próprias instituições de saúde, entidades dirigentes, decisores políticos e a comunidade. Com este propósito, integrado no Programa Nacional de Prevenção da Violência no Ciclo de Vida da DGS, foi criado em 2020 o Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde (PAPVSS), reforçado por uma Resolução do Conselho de Ministros em 2022, com o objetivo de prevenir a ocorrência de situações de violência sobre os profissionais de saúde, abordar adequadamente os episódios e mitigar as suas consequências.

Para o sucesso deste plano é importante despertar a atenção das instituições e dos profissionais para o problema e planear, dentro de cada instituição, a abordagem aos casos de violência, capacitando as equipas para intervir. Neste sentido, desde 2022 e até ao fim do primeiro semestre de 2023, fizeram formação 18.828 profissionais de Saúde. Existe uma rede de governação do PAPVSS que cobre todo o país e envolve 1.770 profissionais de saúde e 307 polícias da PSP e militares da GNR. A linha SNS 24 faz também parte desta estratégia, com um serviço de apoio psicológico, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias do ano, para os profissionais de saúde que necessitem deste tipo de apoio na sequência de episódios de violência.

A abordagem da violência sobre profissionais de saúde tem de interessar a todos e todos envolver no seu controlo.

Consulte: Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde (PAPVSS)


Fonte: DGS – Webinar PAPVSS: Após dois anos, novos desafios, novas estratégias | Link: https://www.dgs.pt/em-destaque/mais-de-18000-profissionais-de-saude-formados-para-responder-a-casos-de-violencia.aspx

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