Um novo triénio na defesa dos farmacêuticos e dos seus utentes – Notícias

Em representação do Governo, a secretária de Estado da Saúde recordou as políticas e medidas dirigidas ao setor e à atividade farmacêutica, de forma particular.

Ana Povo considera que os farmacêuticos têm um papel transversal na sociedade, na comunidade, no hospital, na investigação, na regulação, na área militar, enquanto gestores e parceiros na implementação de políticas e saúde.

A secretária de Estado da Saúde assegurou o compromisso do Governo com o desenvolvimento de políticas de proximidade, dando como exemplo uma das “medidas bandeira” anunciada pelo primeiro-ministro, para implementação do serviço de dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade.

A governante considera que o novo serviço já ultrapassou a fase piloto, sendo agora “implementado paulatinamente” em todo o território nacional, com o envolvimento de todos os intervenientes e um “trabalho conjunto de conciliação de sistemas informáticos”.

Entre as medidas anunciadas pela representante do Governo, está também a implementação do novo serviço farmacêutico para resolução clínicas ligeiras, tendo assegurando a publicação de um novo despacho que envolve as Ordens profissionais, o Infarmed e a Direção-Geral da Saúde na implementação de protocolos para atendimento farmacêutico em situações ligeiras.

O Governo pretende ainda desenvolver “novas estratégias” que incluam a realização de “rastreiros oportunísticos” em farmácias comunitárias, principalmente para doenças sexualmente transmissíveis,  como o VIH/sida e hepatites.

Enumerando outras medias dirigidas ao setor, lembrou ainda a comparticipação integral e acesso ao medicamento por cidadãos mais carenciados, que beneficiam do complemento solidário para idosos. Recordou ainda o papel determinante dos farmacêuticos para o aumento da cobertura vacinal contra a gripe sazonal e COVID-19 e os desafios associados aos problemas de escassez e ruturas de medicamentos.

A aprovação do novo regulamento de gestão da disponibilidade do medicamento vem reforçar o papel dos farmacêuticos hospitalares e comunitários neste domínio, estando igualmente previsto o alargamento de protocolos para substituição por farmacêuticos de medicamentos em situação de rutura.

No que se refere à política de recursos humanos, Ana Povo lembrou também o acordo para valorização e revisão da posição remuneratória dos farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde e a manutenção da aposta no programa de especialização da Residência Farmacêutica, bem como a contratação de farmacêuticos para a Linha SNS24.

Reveja a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais da OF e as principais mensagens do discurso de posse do bastonário da OF, Helder Mota Filipe.


RESUMO DO DISCURSO DE POSSE DO BASTONÁRIO DA ORDEM DOS FARMACÊUTICOS:




“O elevado impacto da intervenção dos farmacêuticos na garantia do acesso ao medicamento, na prestação de cuidados, e na sustentabilidade do SNS deve ser justamente reconhecido”.




“O Ministério da Saúde tem demonstrado estar apostado em
reconhecer o papel que os farmacêuticos podem desempenhar para contribuir para
um melhor acesso ao medicamento e à sua utilização mais racional. […] Mas o
trabalho está longe de estar terminado”.




“É necessário garantir o sucesso da criação da Carreira Farmacêutica, não permitindo que as instituições do SNS continuem a contratar farmacêuticos como técnicos superiores de saúde e, ao mesmo tempo, criar as condições para que os agora farmacêuticos residentes, e num futuro próximo especialistas, possam ser contratados pelo SNS em tempo útil”.




“Investir na formação de especialistas e não aproveitar esse investimento seria péssimo para a qualidade do SNS, para além de uma evidente má gestão de recursos”.




“É necessária uma nova lei da Farmácia Hospitalar, como referimos logo quando iniciámos o primeiro mandato. A lei em vigor data de 1962. Respondendo ao repto do Governo, da senhora Ministra da Saúde, iremos proximamente apresentar à tutela um documento que propõe uma lei moderna, adaptada à realidade e às necessidades da farmácia hospitalar no século XXI”.




“Enfrentamos o desafio da reforma do SNS, com nova organização em Unidades Locais de Saúde e um profundo impacto na organização do circuito do medicamento nestas novas estruturas, garantido que os medicamentos e outros produtos de saúde, mas também os cuidados farmacêuticos chegam a todas as estruturas de cada ULS, incluindo os cuidados primários”.  




“Apesar de consagrada na lei, a paridade entre médicos patologistas clínicos e farmacêuticos especialistas em análises clínicas, continuam a não se verificar na maioria dos serviços, com assimetrias no seu reconhecimento e com a existência de situações, felizmente uma minoria, de recusa da formação de farmacêuticos residentes nas áreas das Análises Clínicas”. 




“O atraso na implementação universal do serviço de dispensa medicamentos hospitalares em proximidade começa a ser preocupante. […] Faço um apelo a todos os intervenientes de quem depende o bom desenvolvimento e a implementação do serviço que se empenhem e colaborem para que este serviço possa ser uma realidade no mais curto prazo. Os doentes, muito justamente, exigem a sua generalização a todo o território nacional”.  




“Também a criação da figura do farmacêutico de família, trabalhando em articulação com o médico de família e o enfermeiro de família, deve ser uma prioridade”.




“Temos de criar condições para que, garantindo a qualidade e a segurança das intervenções, os utentes possam ter acesso à resolução adequada dessas situações sem sobrecarregar outros níveis de prestação de cuidados, como os cuidados primários ou as urgências hospitalares. Estas intervenções têm de obedecer a protocolos previamente desenvolvidos, envolvendo todas as entidades relevantes, como por exemplo a Ordem dos Médicos ou a DGS e o Infarmed. Para além da robustez técnica dos protocolos, é necessário um sistema de informação de suporte que permita, por exemplo, acesso a dados e à partilha da informação sobre estas intervenções com o médico de família do utente”. 




“Numa altura que se aumentam as responsabilidades dos farmacêuticos nos cuidados prestados aos utentes, não é justificável que impedimentos técnicos coloquem em causa a segurança dos cuidados prestados, porque os farmacêuticos não têm acesso à informação necessária para a prestação adequada dos serviços farmacêuticos”.




“Devem também ser criadas as condições para garantir, em
tempo real, a autenticação dos farmacêuticos nos sistemas de informação e no
acesso aos dados dos utentes. É necessário robustecer os mecanismos de
comunicação entre profissionais envolvidos na prestação de cuidados aos
doentes. A colaboração entre profissionais é fundamental, assegurando uma
abordagem integrada ao doente”.




“A Ordem dos Farmacêuticos está empenhada na dinamização desta colaboração com as outras Ordens da saúde. Hoje, a colaboração interprofissional e a abordagem multidisciplinar já não são uma escolha, são uma obrigação ética e deontológica de todos os profissionais de saúde”. 




“Queremos envolver os farmacêuticos na definição das políticas locais de saúde e continuar um trabalho de aproximação aos farmacêuticos com funções autárquicas, valorizando a sua participação cívica e a sua proximidade à população”.




“Seguiremos os mesmos princípios que nortearam o nosso
trabalho no passado mandato: utilidade, proximidade, transparência e
independência”. 




“Muitos dos objetivos definidos no último mandato foram
cumpridos, como a criação de novas competências farmacêuticas e a promoção de
serviços diferenciados. No entanto, há ainda desafios a superar. Por isso,
daremos continuidade às políticas que dignificam e fortalecem a profissão e
trabalharemos para concretizar o que ainda falta fazer”.




“O desenvolvimento da profissão será o nosso pilar
fundamental. Estamos a atravessar um momento crucial para a profissão
farmacêutica no nosso país, e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta
desafios importantes, não só em termos de acesso à inovação e sustentabilidade,
mas também no desenvolvimento de novos serviços”.




“O futuro da profissão passa pela prestação de novos
serviços farmacêuticos, especialmente na farmácia comunitária, mas também na
farmácia hospitalar. Queremos desenvolver novas soluções e colocá-las ao
serviço dos cidadãos, que tirem partido da proximidade que os farmacêuticos têm
com os cidadãos”.  




“O futuro da profissão depende do envolvimento dos jovens
farmacêuticos. Assim, reforçaremos a aproximação da Ordem aos estudantes e
recém-diplomados em Ciências Farmacêuticas, promovendo iniciativas que
incentivem a participação ativa na vida da instituição. Renovaremos o Conselho
da Juventude Farmacêutica, dando voz à nova geração de farmacêuticos e
garantindo que os seus desafios e aspirações sejam considerados na definição
das nossas estratégias”. 




“Assumimos ainda um importante compromisso com a
sustentabilidade ambiental, com uma posição publica recentemente publicada,
elaborada pelo grupo de trabalho dedicado aos medicamentos e ambiente”.




“Trabalharemos para o reconhecimento e valorização das nossas especializações e competências, garantindo que a sociedade e os decisores políticos reconhecem o impacto do trabalho farmacêutico na promoção da saúde e na qualidade de vida da população”.




“Colaboração entre a Ordem, a academia, as organizações
profissionais farmacêuticas e as organizações de outros profissionais de saúde
é essencial para o progresso da profissão”.




“Um dos pilares da atividade internacional da Ordem dos
Farmacêuticos é a cooperação com os países lusófonos, onde temos vindo a
consolidar um caminho de desenvolvimento conjunto”.






“A inovação é um investimento e o nosso país tem de definir,
de uma vez por todas, uma estratégia para aumentar a competitividade e fomentar
o desenvolvimento da Indústria Farmacêutica nacional. O mesmo para os ensaios
clínicos. Não podemos desperdiçar mais tempo”.  

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