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Novos relatórios sobre internamentos sociais e saúde digital – Notícias


A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) realizou esta semana a 10.ª edição da sua Conferência de VALOR, na qual participaram vários farmacêuticos distribuídos por sessões dedicadas aos medicamentos biossimilares, aos modelos inovadores de gestão do acesso a medicamentos e à emergência da governação centrada no cidadão.

À margem do evento, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Helder Mota Filipe, reuniu com o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, um encontro em que foi dado particular destaque à implementação da Carreira Farmacêutica nos hospitais públicos, privados e do setor social, bem como à temática do acesso aos dados em saúde.

A 6ª edição do “Barómetro de Internamentos Sociais”,
realizado pela APAH em
parceria com a EY e o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina
Interna (SPMI) e da Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS)
revela que a 16 de março deste ano estavam internadas de forma inapropriada nos
hospitais do SNS 1.048 pessoas, o que traduz um aumento de 23% face ao mesmo
mês do ano passado, quando os internamentos sociais totalizavam 853.

Considera-se internamento inapropriado todos os dias que um
doente passa no hospital quando já tem alta clínica e não existe um motivo de
saúde que justifique a sua permanência em ambiente hospitalar.

Estes casos, que, à data da recolha dos dados representavam
6,3% do total de internamentos nos hospitais (excluindo unidades
psiquiátricas), têm um custo estimado de quase 19,5 milhões de euros para o
Estado, o que compara com 16,3 milhões em março de 2021. Extrapolando este
cenário para o conjunto do ano, os internamentos inapropriados podem ter um
impacto financeiro de cerca de 124,5 milhões de euros.

Estas são algumas das conclusões do 6º Barómetro de
Internamentos Sociais que contou com a participação de 38 unidades hospitalares
do Serviço Nacional de Saúde (SNS), num total de 19.335 camas hospitalares,
correspondentes a 89% do total, a nível nacional.

Tal como o 5º Barómetro, cujos dados foram recolhidos a 17
de março de 2021, a edição deste ano realizou-se em contexto pandémico, pelo
que também considera dados dos internamentos de doentes infetados, com as
perguntas desagregadas em internamentos Covid-19 e internamentos não Covid-19.
A recolha de dados para o Barómetro deste ano ocorreu durante a quinta vaga da
pandemia, cerca de um mês depois de o Governo ter decretado o alívio de algumas
restrições, tal como a recomendação de teletrabalho.

Os dados da APAH dão conta de um total de 31.311 dias de
internamentos inapropriados (mais 8% face à 5ª Edição), um número que espelha o
elevado impacto deste fenómeno no prolongamento da ocupação das camas em
ambiente hospitalar, assim como o aumento dos tempos de espera para
internamentos programados, resultando na degradação dos cuidados de saúde.
Apesar do aumento do total de dias, a demora média nacional por episódio caiu
face ao ano passado para 29,9 dias por episódio (33,6 dias em março de 2021).

No que respeita às causas dos internamentos sociais, a falta
de resposta da RNCCI foi apontada como responsável por mais de metade dos
casos, à semelhança das anteriores edições do Barómetro que pretende
monitorizar e caracterizar este fenómeno crítico no sistema de saúde português
e reforçar a importância do desenvolvimento de soluções conjuntas entre as
diferentes entidades envolvidas, de forma a minimizar os impactos e melhorar o
serviço de saúde.

Na mais recente análise, este fator explica 59% dos
internamentos injustificados (67% no caso dos internamentos relacionados com a
Covid-19), estando entre as principais causas referidas em todas as regiões do
país. Lisboa e Vale do Tejo (34%) e Norte (47%) são as regiões com maiores
taxas de internamentos inapropriados, sendo responsáveis, em conjunto, por mais
de 8 em cada 10 casos de pacientes internados sem sintomatologia clínica que o
justifique, confirmada através de alta médica.

O Barómetro Saúde Digital, por sua vez, também é uma
iniciativa da APAH, mas com a Glintt – Global Intelligent Technologies, em
parceria científica com a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e com o apoio
institucional dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

Nesta sua segunda edição, o Barómetro pretende compreender o
nível de adoção da saúde digital nas instituições do sistema de saúde português,
em particular da telessaúde e da inteligência artificial, identificar áreas de
utilização e utilização potencial e clarificar os pontos críticos
[facilitadores e barreiras] para a sua adoção e utilização.

Dirigido a profissionais com funções de gestão,
profissionais das tecnologias de informação e profissionais de saúde dos
diversos prestadores de cuidados do sistema de saúde português, o questionário
divide-se em três partes: telessaúde; inteligência artificial; e Saúde Digital.

De acordo com os resultados apurados, a teleconsulta é a
área de telessaúde mais utilizada (96%), seguida da telemonitorização (63%) e
do telediagnóstico (39%).

A telemonitorização é a solução de inteligência artificial
com maior potencial de implementação (46%) e a transcrição de voz continua a
ser a área com maior implementação (30%)

O nível de maturidade digital percecionado pelos líderes das
instituições de saúde é de 6,6 (numa escala de 0 a 10), e apenas 14% drefere
ter orçamento suficiente para os projetos de Saúde Digital nos próximos 12
meses

A 2ª Edição do Barómetro da Saúde Digital contou com uma
amostra de 286 respostas ao questionário, das quais 64 respostas são de líderes
de instituições, sendo que 47% do universo dos hospitais do SNS participaram no
barómetro.

Consulte o Barómetro
de Internamentos Sociais 2022
.

Consulte o Barómetro
da Saúde Digital 2022
.

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