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Maioria dos hospitais com ruturas de medicamentos regulares – Notícias

Mais de 70% dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde enfrentam regularmente ruturas de medicamentos, de acordo com os novos dados do Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar, promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que conta com o apoio da Ordem dos Farmacêuticos (OF) e Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares e coordenação científica da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

“Além do médico, enfermeiro, assistente social, nutricionista, que são profissionais que já estão na enfermaria a prestar cuidados aos doentes, faria todo o sentido – e está a acontecer noutros sistemas de saúde – termos o farmacêutico para fazer conciliação terapêutica, para ajustar doses”, defende o representante dos administradores hospitalares.

A apresentação do trabalho realizado pela APAH decorreu no
dia 18 de novembro, numa sessão que registou a participação da farmacêutica
hospitalar Helena Catarino, membro do Conselho do Colégio de Especialidade de
Farmácia Hospitalar da OF.

A representante dos farmacêuticos integrou o painel de
comentadores às conclusões do estudo, do qual fez também parte o presidente do
Infarmed, Rui Santos Ivo.

Helena Catarino reiterou a relevância das funções dos
farmacêuticos hospitalares para garantia da qualidade e do acesso aos
medicamentos em ambiente hospitalar. Destacou particularmente as
responsabilidades das Comissões de Farmácia e Terapêutica e articulação entre
hospitais e com o Infarmed para resolver problemas de ruturas de medicamentos.

Na sua opinião, os farmacêuticos estão sobrecarregados
com tarefas e funções do foro administrativo, que impedem a generalização de outros
serviços e valências, como a Consulta Farmacêutica. Pese embora todo o trabalho
da OF com os Serviços Partilhados Ministério da Saúde, muitos farmacêuticos
ainda não podem escrever as suas notas no processo clínico dos utentes, o que
impede a partilha de informação útil com outros profissionais envolvidos na prestação de cuidados aos doentes.

Helena Catarino deu ainda como exemplo a dispensa de
medicamentos hospitalares em proximidade, assegurando o compromisso de
farmacêuticos hospitalares e comunitários na manutenção da segurança,
integridade e informação ao utente sobre a medicação prescrição.

A farmacêutica hospitalar realçou também o trabalho
desenvolvido pela OF no desenvolvimento e reconhecimento de novas Competências
Farmacêuticas.

Em declarações à comunicação social à margem do evento, o
presidente da APAH sublinhou o papel nuclear dos farmacêuticos nas equipas de
saúde. “Para além de termos o médico, enfermeiro, assistente social,
nutricionista, que são profissionais que já estão na enfermaria a prestar
cuidados aos doentes, faria todo o sentido – e está a acontecer outros sistemas
de saúde – termos o farmacêutico para fazer conciliação terapêutica, para
ajustar doses”, defendeu.

“Não existe nenhuma razão para que isso não aconteça no
nosso sistema de saúde e nós queremos que a tutela atente nesta questão e que
reforce os serviços farmacêuticos”, acrescentou.

O presidente da APAH considera que o farmacêutico tem “uma
intervenção fundamental na reconciliação terapêutica”, explicando que Consulta
Farmacêutica pode ajudar esclarecer os utentes sobre os medicamentos e dosagens
que deve tomar, analisar eventuais interações e ajustar de acordo com a
medicação prescrita em ambulatório e no hospital.

O Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar revela
as ruturas de medicamentos ocorrem de forma regular em 73% das instituições:
32% são afetadas por ruturas mensais, 23% semanais e 18% diárias.

Em 27% dos casos, as ruturas dizem respeito a medicamentos
genéricos. A grande maioria dos hospitais (86%) tem um departamento, núcleo ou
pessoa responsável por solucionar os problemas relacionados com as ruturas, mas
só em 27% é avaliado o impacto destas ruturas.

A maioria dos hospitais que responderam confessa que não faz
comparações efetivas entre terapêuticas, em contexto de doentes em tratamento
na instituição. Apenas 18% disse fazer uma recolha sistemática de dados sobre a
qualidade de vida dos doentes que tomam determinado medicamento.

A carga administrativa é a principal barreira ao acesso ao
medicamento nos hospitais portugueses, que apontam ainda a falta de recursos
para cumprir as regras de contratação pública, indica o estudo. O processo de
aquisição via SPMS e o modelo de financiamento dos medicamentos foram outras
das barreiras apontadas pelos hospitais ao acesso ao medicamento.

Os dados recolhidos junto das unidades hospitalares do SNS
mostram ainda que apenas 27% dos que responderam têm consulta farmacêutica,
sendo que, nestes, ela existe “apenas para alguns doentes”. As características
do doente, a patologia e a terapêutica são os principais critérios de seleção
dos doentes para a consulta farmacêutica.

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