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Farmacêuticos despediram-se de Aluísio Marques Leal – Notícias


Aluísio da Cruz Marques Leal, um dos mais notáveis farmacêuticos portugueses e um dos principais impulsionadores da Farmácia Hospitalar, tal como hoje a conhecemos, faleceu no dia 14 de março, aos 100 anos.

Aluísio da Cruz Marques Leal, um dos mais notáveis farmacêuticos portugueses e um dos principais impulsionadores da Farmácia Hospitalar, tal como hoje a conhecemos, faleceu no dia 14 de março, aos 100 anos. O funeral realizou-se no dia 18 de março, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa, na presença de familiares, amigos e farmacêuticos, que fizeram questão de estar presentes no último adeus a uma das principais referências da profissão.
    
Aluísio Marques Leal foi uma figura incontornável da profissão farmacêutica e fonte de inspiração para várias gerações de farmacêuticos, que ajudou a formar. Foi também um grande humanista, com uma participação cívica muito importante e com uma estrutura ética e moral que muito engrandeceu a profissão e que dignificou a sociedade portuguesa.

Dedicou grande parte da sua vida à valorização do papel do farmacêutico enquanto profissional de saúde, tendo sido um dos principais responsáveis pelo reconhecimento e elevação da importância da Farmácia Hospitalar.

Foi um dos precursores da atividade de Farmácia Clínica nas enfermarias, defendendo a integração dos farmacêuticos em equipas multidisciplinares e a sua participação nos processos e decisões farmacoterapêuticas. Neste âmbito, foi também um dos principais dinamizadores das Comissões de Farmácia e Terapêutica nos hospitais.

Licenciou-se em Farmácia, em 1938, pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), na mesma instituição onde, em 1944, viria a concluir o doutoramento.

Aos 22 anos assumiu a direção dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Universitário de Santa Marta, onde esteve durante quase 15 anos. Nestas funções, soube conquistar a admiração e o respeito de todos, alargando as atividades da Farmácia Hospitalar, ajudando à formação de novos quadros farmacêuticos, melhorando o controlo analítico e a tecnologia dos medicamentos produzidos pelos serviços farmacêuticos e cultivando sempre a colaboração com os serviços médicos, tanto no domínio da informação, quanto da investigação e ensino. Posteriormente, com a inauguração do novo Hospital Universitário, esteve envolvido na organização dos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Santa Maria.

Esteve profundamente envolvido na aprovação, em 1962, do Decreto-Lei n.º 44204, conhecido como “Estatuto da Farmácia Hospitalar”, um diploma considerado altamente inovador para a época.

Da sua atividade profissional, merece também especial relevo a colaboração direta nos trabalhos de investigação de António Egas Moniz, que valeram o Prémio Nobel da Medicina ao médico português, em 1949, nomeadamente na preparação de ampolas isotónicas de um dos primeiros visualizadores iodados, que se destinavam a ser injetados no tecido subcutâneo e que permitiram à equipa do Prémio Nobel visualizar, pela primeira vez, em radiografias, a parede da aorta.

Especialista em Farmácia Hospitalar e em Indústria Farmacêutica pela Ordem dos Farmacêuticos, recebeu em 1984 a Medalha de Prata de Serviços Distintos do Ministério da Saúde. No texto publicado em Diário da República são destacados “os serviços relevantes prestados à comunidade, que constituem um exemplo de competência, dedicação, e honestidade pessoal, aliados a uma personalidade singular de estudioso e pedagogo ilustre, com rara capacidade de trabalho, visão esclarecida da problemática do medicamento e profundidade de conhecimentos incondicionalmente colocados à disposição dos farmacêuticos”.

Dois anos mais tarde, recebe um Voto de Louvor da Direção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos e em 1987 a Medalha de Honra da Ordem dos Farmacêuticos, entregue pelo bastonário Alfredo de Amaral e Albuquerque.

O seu percurso profissional esteve também intimamente ligado ao ensino das Ciências Farmacêuticas, enquanto docente da cadeira de Farmácia Hospitalar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Colaborou também na Comissão Permanente da Farmacopeia Portuguesa e na Comissão Permanente do Formulário Hospitalar.

Aluísio Marques Leal esteve sempre envolvido nos trabalhos dos organismos de defesa dos interesses profissionais farmacêuticos, muito especialmente com a Ordem dos Farmacêuticos, cujos contributos e ação constante têm um valor inestimável para todos os farmacêuticos portugueses e para aquilo que a profissão hoje se tornou.

Por todos estes motivos, pelo legado que deixa à profissão farmacêutica e, fundamentalmente, pelas suas características humanas, Aluísio Marques Leal será sempre uma referência para todos os farmacêuticos e um exemplo a seguir por todos aqueles que se dedicam à nobre atividade assistencial da profissão.

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