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Degradação do preço dos medicamentos acentua dificuldades do setor – Notícias


A Associação de Distribuidores Farmacêuticos (Adifa) apresentou hoje, em Lisboa, um estudo intitulado “Caracterização e Impacto da Distribuição Farmacêutica em Portugal”, desenvolvido pela consultora Deloitte, em que destaca a redução de 23% do valor do mercado de medicamentos vendidos nas farmácias ao longo da última década, o que corresponde a cerca de 640 milhões de euros.

O estudo demonstra que os distribuidores de serviço
completo realizam, em média, três entregas diárias às farmácias, num total de 11
mil entregas e cerca de 800 mil embalagens, com um tempo médio após uma
encomenda de 2,8 horas. Independentemente da sua localização, uma farmácia
aguarda, no máximo, 5,7 horas por uma encomenda.

O trabalho realizado pela consultora Deloitte mostra ainda
que as dívidas acumuladas das farmácias aos distribuidores, e dificilmente
cobráveis, rondam os 80 milhões de euros, tendo atingido um pico de 107,9
milhões de euros em 2014.

Ao analisar a situação económico-financeira do setor, o
estudo revela que a distribuição farmacêutica é o elo da cadeia de valor com a
rentabilidade mais baixa, apresentando um EBITDA médio anual de apenas 1,2%. Os
resultados líquidos do setor demonstram as dificuldades e pressão
económico-financeira das empresas. Entre 2010 e 2017, a rentabilidade líquida
média foi de 0,4%, havendo anos em que, inclusivamente, o setor registou prejuízo.

O setor aporta, no entanto, um importante valor
acrescentado para o sistema de saúde, pelo seu envolvimento em vários programas
de saúde pública, nomeadamente no Programa de Troca de Seringas, na Via Verde
do Medicamento, no projeto-piloto de dispensa de medicamentos antirretrovirais
nas farmácias (TARV), o projeto-piloto de vacinação contra a gripe nas farmácias
de Loures, entre outros.

Diogo Gouveia, presidente da Adifa, recordou, na abertura do
evento, a situação frágil que o setor atravessa, devido à redução do mercado
ambulatório de medicamentos, à redução de margens dos operadores e também aos
avultados investimentos relacionados com a implementação de novos padrões de
segurança nas embalagens de medicamentos.

Este responsável sublinhou, no entanto, que a diminuição da
receita não teve associada uma diminuição do serviço, nem da sua qualidade. Como
exemplo, referiu-se à criação de um mecanismo compensatório para a distribuição
de medicamentos genéricos ou a transferência para o ambulatório de medicamentos
de uso exclusivo hospitalar, onde se inclui a maioria da inovação terapêutica.

Sobre a falta de alguns medicamentos nas farmácias, Diogo
Gouveia disse que o projeto Via Verde do Medicamento não tem sido suficiente
para resolver o problema, mas adiantou também que este mecanismo, criado para
resolver situações pontuais, não se pode tornar uma regra no abastecimento do
mercado.

Uma palavra ainda para o número de farmacêuticos a exercer nas
mais variadas áreas e departamentos do setor da distribuição, cerca de 4% do
universo de farmacêuticos no ativo, e um agradecimento à OF pela reativação do
Grupo Profissional de Distribuição Farmacêutica.

A bastonária da OF, Ana Paula Martins, destacou também os
problemas relacionados com ruturas de stock
e falhas de abastecimento de medicamentos às farmácias, lembrando que são percecionados
pela população, e pelos próprios médicos prescritores, de forma completamente diferente
dos bens de consumo corrente.

A bastonária considera que o fenómeno se acentua com a
degradação do preço dos medicamentos no nosso país, que tornam o mercado
nacional pouco atrativo em termos internacionais. Os números reportados sobre
as falhas de abastecimento nas farmácias são dispares, mas mesmo tendo por base
os dados divulgados na véspera pela presidente do Infarmed na Comissão
Parlamentar de Saúde, a bastonária considera que são muitos milhões de
embalagens de medicamentos em falta e que a solução do problema não passa apenas
por uma maior regulação do setor.

Ana Paula Martins sugeriu um pacto de regime na próxima legislatura
para garantir a sustentabilidade de toda a cadeia de valor do medicamento.
Referindo-se ao modelo de remuneração dos serviços farmacêuticos prestados nas
farmácias comunitárias, que considera esgotado, a bastonária assegurou o empenho
da OF na promoção de um debate nacional sobre o tema.

De acordo com os dados divulgados também na véspera pela
presidente do Infarmed, registou-se o encerramento de 150 farmácias em todo o país,
bem como a abertura de 200 novas unidades. Para a bastonária, a principal
questão pretende-se com a localização das farmácias que encerraram atividade,
deixando desprotegidas as populações em zonas mais isoladas e carenciadas.

Ana Paula Martins realçou as dificuldades que atravessam
várias farmácias situadas no interior do país, onde ninguém quer estar e para
onde ninguém quer ir, lembrando também o risco de penhora ou insolvência que assola
mais de 600 farmácias, e que motivou inclusivamente a adesão e subscrição da petição
à Assembleia da República garantir a sobrevivência da rede de farmácias.

No final da sessão de abertura deste primeiro congresso da
Adifa, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado lembrou que o início do
seu mandato coincidiu com a fundação da associação dos distribuidores
farmacêuticos e elencou três desafios que o setor atravessa: a implementação dos
dispositivos de segurança impostos pela diretiva europeia sobre medicamentos
falsificados, a distribuição de vacinas nas farmácias, em especial das vacinas
contra a gripe, que contribui fortemente para o aumento da cobertura vacinal da
população, e a passagem de alguns medicamentos de uso exclusivo em ambiente hospitalar
para as farmácias comunitárias.

A este propósito, a presidente do Infarmed anunciou publicamente
o início no próximo mês de maio dos trabalhos tendo em vista o início da dispensa
nas farmácias de alguns medicamentos oncológicos e para doentes transplantados.

Consulte aqui o estudo “Caracterização e Impacto da Distribuição Farmacêutica em Portugal”.

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