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Bastonária destaca “postura” e “coragem” dos farmacêuticos para enfrentar a pandemia – Notícias


A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Ana Paula Martins, agradeceu hoje aos farmacêuticos a “postura” e a “coragem” com que têm enfrentado a pandemia de covid-19 desde março. Na abertura oficial do Congresso Nacional dos Farmacêuticos 2020, que decorre online, com transmissão em direto para todo o espaço lusófono, a representante dos farmacêuticos portugueses realçou a complexidade da operação de armazenamento e distribuição de uma vacina para a covid-19. “Queira Deus que o Governo esteja certo e que as leis da vida sejam, pela primeira vez, reescritas, descobrindo que afinal o risco zero existe”, destacou.

A intervenção da bastonária da OF na cerimónia de abertura do Congresso incidiu sobre aspetos determinantes da intervenção dos farmacêuticos na fase de pandemia que o País e o mundo enfrentam.

Dirigindo-se aos seus colegas, lembrou as dificuldades que enfrentam por estarem na linha da frente do combate à transmissão do novo coronavírus, mas destacou que a população reconhece o valor da sua intervenção, apelando a que “não desistam” porque “ainda falta muito para sairmos desta crise”.

Ana Paula Martins considera que a ação legislativa deve promover soluções que melhorem a vida das pessoas, que melhore o acesso à saúde, ao medicamento, com segurança e qualidade, dando como exemplo o funcionamento dos serviços farmacêuticos hospitalares durante 12 a 14 horas de jornada diária, para que nenhum português fique sem a sua medicação ou a realização de domicílios para os utentes que precisam de fazer análises clínicas.

Boa parte do seu mandato como bastonária da OF foi investido na defesa da restituição da Carreira Farmacêutica no Serviço Nacional de Saúde (SNS), pela qual os farmacêuticos aguardaram cerca de 20 anos. No entanto, lamenta agora o atraso de mais de um ano para abertura de vagas para ingresso na Residência Farmacêutica, que garante a especialização para acesso à carreira especial farmacêutica. “De reunião em reunião, vão sendo adiadas as condições para que os Orçamentos Gerais do Estado (ontem foi aprovado o de 2021) preveja a entrada de farmacêuticos fundamentais ao funcionamento do SNS”

Neste contexto, defendeu também a contratação de farmacêuticos para os centros de saúde, para “trabalhar com as equipas dos cuidados de saúde primários” na qualificação da terapêutica, na articulação farmacoterapêutica com os farmacêuticos comunitários, como acontece em Espanha. 

“Porque não, então, a contratação de 350 farmacêuticos para os cuidados de saúde primários, tantos quantos os centros de saúde e unidades de saúde familiar em Portugal?”, desafiou.

A bastonária sugeriu que a ministra e os responsáveis pela Saúde no País “visitem, de forma anónima, os nossos farmacêuticos comunitários no momento em que estão a ser descompostos e ameaçados pelos utentes por não terem vacinas da gripe, explicar-lhes porque não podem fazer testes ao SARS-Cov-2, quando sabemos que já são feitos um pouco por toda a parte (mas aí a ERS e a inspeção não vão…) ou visitar serviços farmacêuticos hospitalares e ver o esforço desumano em que hoje vivem para levar pouco mais de mil euros para casa. Tentar perceber como conseguem os laboratórios de proximidade sobreviver faturando um euro por cada domicílio aos seniores que já não se podem deslocar. Compreender em profundidade porque é tão bizarro imaginar que, de repente, a distribuição farmacêutica se pode concretizar através de carrinhas de hospitais ou das Forças Armadas ou realizar as dificuldades que as nossas empresas têm em ver os seus assuntos atendidos pela Administração Pública, quando querem exportar ou aprovar dispositivos para a prestação de cuidados de saúde, etc, etc”, exemplificou a bastonária.

Ana Paula Martins leu ainda algumas das centenas de mensagens que recebe diariamente de farmacêuticos descontentes com a condições atuais do exercício profissional. “Onde falhámos na distribuição de medicamentos hospitalares?”, questionam; “sinto-me completamente desiludido, cansado e desorientado com toda esta situação criada à volta dos testes rápidos SARS-CoV-2”, foram alguns exemplos mencionados pela bastonária.

Em resposta, assegura que “a Ordem estará ao lado dos farmacêuticos, para os defender, se for preciso, em nome da população que estão a ajudar e a salvar, como o seu juramento ético obriga”.

“Chega de tanta lei que não tem aplicabilidade, normas e mais normas que não se conseguem decifrar, meses de espera por legislação para renovar a receita médica, por um modelo de dispensa em proximidade coerente, que respeite a intervenção farmacêutica na sua dimensão fundamental: a segurança. E que defenda o princípio ético da autonomia e liberdade de escolha da pessoa que vive com a doença, tal como foi sugerido na proposta da Ordem dos Farmacêutico e Ordem dos Médicos”, entende a bastonária.

“Chega de nos colocarmos uns contra os outros só porque a descoordenação, o desnorte, a exaustão e o desespero nos divide. Uma profissão transforma-se, e não o faz ao sabor dos ventos políticos. Porventura algum de nós acredita que quem exerce a ação política tem a determinação de valorizar os farmacêuticos? A não ser que (os políticos) sejam eles próprios farmacêuticos e disso não se esqueçam quando lá chegam…”, acrescentou.

A terminar, lembrou que este é o seu último congresso como bastonária. Em fevereiro de 2022, deixarei de o ser e até lá Portugal enfrentará ainda parte importante e devastadora desta pandemia. A pandemia da fome, do desemprego, da saúde mental. Nunca me verão vacilar, apesar do cansaço que vos confesso sentir, não pelo trabalho, mas pelas injustiças e desgostos que comigo levarei e que nunca esquecerei”, concluiu.

Leia aqui o discurso da bastonária

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